Campo Limpo Paulista apresenta diagnóstico financeiro e projeta recuperação fiscal
Dados mostram queda na relação entre despesas e receitas em 2026, mas município ainda enfrenta peso de dívidas e frustração de receitas.
A Prefeitura de Campo Limpo Paulista apresentou, em sessão pública realizada nesta quarta-feira (21), um diagnóstico detalhado sobre a situação econômica e financeira do município. O levantamento, que reúne dados de 2021 a 2026 obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) e à Secretaria Municipal de Fazenda, revela os desafios orçamentários locais e as medidas adotadas para buscar o equilíbrio fiscal.
Frustração de receitas e despesas com dívidas
O relatório apontou uma diferença significativa entre a receita estimada e o montante efetivamente arrecadado nos últimos anos. Em 2023, por exemplo, a administração municipal previa arrecadar R$ 469,77 milhões, mas registrou R$ 377,85 milhões, gerando uma frustração de receita de R$ 91,93 milhões. Desse total, R$ 22,84 milhões correspondem a receitas correntes e R$ 69,09 milhões a receitas de capital, com perdas registradas na arrecadação própria do IPTU e nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Além disso, o peso das dívidas e financiamentos, como o FINISA e o Desenvolve SP, continua pressionando o orçamento. As despesas com juros e amortizações saltaram de R$ 13,56 milhões em 2023 para R$ 34,41 milhões em 2025, com estimativa de atingir cerca de R$ 36 milhões em 2026. Outras obrigações antigas, como o pagamento atrasado de R$ 5,22 milhões em férias de professores e despesas judiciais com cestas básicas de R$ 2,4 milhões anuais, também limitam a capacidade de investimento da cidade.
Sinais de recuperação e controle de gastos
Por outro lado, os indicadores do primeiro semestre de 2026 apontam para uma trajetória de recuperação fiscal. A relação entre despesas e receitas correntes, que era de 110,70% em junho de 2024, recuou para 91,44% em junho de 2026, ficando abaixo do limite de 95% estabelecido pela Constituição Federal. Os restos a pagar processados também caíram 24,6% entre abril e junho de 2026, passando de R$ 8,05 milhões para R$ 6,07 milhões.
O gasto com funcionalismo público também se manteve sob controle, comprometendo 40,61% da Receita Corrente Líquida, índice bem abaixo do limite máximo de 54%. Até outubro de 2026, o município arrecadou R$ 339,27 milhões de uma previsão anual de R$ 465,68 milhões, com despesas liquidadas de R$ 267,22 milhões. Para consolidar a melhora, a prefeitura propõe ações como o monitoramento diário do caixa, revisão de contratos e aprimoramento da cobrança da dívida ativa.