K9 Max, cão policial de Itupeva, morre e deixa legado em buscas e investigações
O K9 Max, cão da raça Bloodhound que serviu à Guarda Civil Municipal (GCM) de Itupeva por quase uma década, faleceu em 2026. O animal deixou um legado significativo em operações de busca e investigação, atuando em diversas ocorrências no estado de São Paulo e em Minas Gerais.
Nascido em 6 de julho de 2015, Max ingressou oficialmente na GCM de Itupeva em 17 de março de 2017. Ele foi o primeiro cão da corporação a ser treinado na técnica de mantrailing, especializada no rastreamento e localização de pessoas por meio de um odor específico.
Em agosto de 2018, o K9 Max recebeu a certificação de Cão Funcional de Mantrailing – Nível I. Ao longo de sua carreira, participou de mais de 50 ocorrências em São Paulo e outras três em Minas Gerais, colaborando com diferentes forças de segurança e a Polícia Civil.
Atuação Marcante
Um dos casos mais emblemáticos de sua atuação foi na investigação da morte da menina Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, desaparecida em Araçariguama em 2018. O trabalho de Max identificou o odor da vítima em uma propriedade ligada a investigados.
As informações coletadas pelo cão foram consideradas no processo judicial, resultando na condenação dos envolvidos no crime. Na época, o episódio foi considerado um marco inédito no Brasil para o uso da cinotecnia em investigações.
Max também participou de operações delicadas, como em agosto de 2021, quando o Canil de Itupeva foi acionado pela Polícia Civil de Votorantim. A missão era auxiliar nas buscas por um homem desaparecido na região da Represa de Itupararanga.
Faro e Legado
A raça Bloodhound, conhecida como Cão de Santo Humberto, possui um faro apurado, essencial para o mantrailing. Essa técnica explora a capacidade do animal de individualizar o odor de uma pessoa e segui-lo, mesmo em ambientes com múltiplos cheiros.
Em 2022, Max participou de um teste conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Investigação Científica em Odorologia Forense, em São Paulo. O experimento avaliou a identificação de odor humano após exposição a temperaturas entre 800°C e 900°C, simulando um veículo incendiado.
Sua experiência foi fundamental para o desenvolvimento do Canil de Itupeva. Nos últimos anos, Max passou a atuar ao lado do K9 Pluto, também da raça Bloodhound. Em 2023, a corporação o classificava como seu K9 de referência, já em nível avançado para trabalhos investigativos.
O trabalho iniciado com Max deixou raízes na corporação. Em 2026, o Canil de Itupeva continua a promover treinamentos especializados de mantrailing, reunindo equipes de outros municípios e consolidando sua posição na busca por pessoas desaparecidas.
Para os integrantes da Guarda Civil Municipal, especialmente para os profissionais que o acompanharam, Max foi mais do que uma ferramenta de segurança. Ele foi um companheiro de rotina, parceiro em missões difíceis e uma presença constante em momentos de angústia para famílias.